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  • TRF5 homenageia vencedoras do Prêmio Margarida de Equidade de Gênero 2026
    Última atualização: 15/09/2026 às 16:07:00



    Imagine um terreno cujo solo é pouco fértil, mas uma flor, sensível e ao mesmo tempo resistente, desafia todas as dificuldades e consegue florescer. Agora, fazendo um paralelo: o solo dificultoso representa o árduo caminho das mulheres na luta por espaço na sociedade; a flor é a desembargadora federal emérita do Tribunal Regional Federal da 5ª Região - TRF5, Margarida Cantarelli. A trajetória da magistrada inspirou o Prêmio Margarida Cantarelli de Boas Práticas em Equidade de Gênero, cujas vencedoras da 3ª edição da premiação foram homenageadas na manhã desta terça-feira (15/09), na sede do TRF5.  Com uma plateia predominantemente feminina, o evento mais pareceu uma primavera, com muitas flores que foram semeadas por Margarida.  

    A vice-presidente do TRF5, desembargadora federal Joana Carolina, abriu o evento, destacando a importância da premiação e do trabalho da Comissão Julgadora. Os caminhos abertos por Margarida Cantarelli em diversas áreas também foram ressaltados pela magistrada. "Margarida é flor e é mulher. É colibri e é águia. É múltipla. E ainda é imortal (Academia Pernambucana de Letras). Por mais homenagens que promovamos, elas nunca serão suficientes. Os portões que abriu e os obstáculos que superou a tornam uma referência de luta pela igualdade e pelo reconhecimento da capacidade feminina de atuação nos espaços de poder".  

    Ousadia foi a palavra atribuída a Margarida Cantarelli pela desembargadora federal Cibele Benevides. "Tentamos promover a autoestima das mulheres, para que elas consigam ousar como desde sempre ousou Margarida. Ela ousou ao entrar na política, no Judiciário, na Ordem dos Advogados, na vida acadêmica, nas letras". Cibele também defendeu que o movimento de incentivo à participação feminina não é contrário aos homens. "Não é contra o masculino. É para trazer o masculino para junto das tarefas que são culturalmente estabelecidas para o feminino, para que haja essa isonomia, para que todos sejam representados, já que se trata de uma democracia". 

    Premiação 

    O prêmio foi dividido em três categorias: Boas Práticas de Equidade de Gênero no Poder Judiciário, Boas Práticas de Equidade de Gênero no Sistema de Justiça e Boas Práticas de Equidade de Gênero nas Instituições Públicas em Geral e no Terceiro Setor. A edição de 2026 contou, também, com a concessão de Menção Honrosa a uma prática ou ação que se destacou por sua contribuição à inclusão e à redução das desigualdades de gênero. 

    Boas Práticas de Equidade de Gênero no Poder Judiciário 

    Nessa categoria, venceu o “Podcast Vozes da Inovação Eleitoral – 1ª Temporada: As Alziras do RN”, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) e de autoria da analista judiciária Márcia Regina Miranda Clementino Medeiros. 

    Márcia ressaltou que o Rio Grande do Norte tem um histórico de grandes nomes femininos com participação na vida política, como Alzira Soriano (primeira prefeita eleita da América Latina) e Celina Guimarães (primeira eleitora do Brasil). Sobre o projeto, ela disse acreditar que, através da conversa, do debate, é possível levar o tema da equidade às mulheres potiguares e às potenciais candidatas a um cargo político.  "Só teremos democracia plena se tivermos equidade de gênero na política".  

    Boas Práticas de Equidade de Gênero no Sistema de Justiça 

    Já na categoria Boas Práticas de Equidade de Gênero no Sistema de Justiça, o projeto vencedor foi “Política de Promoção da Representatividade e Equidade de Gênero”, da Procuradoria-Geral Federal (PGF/AGU) e de autoria das procuradoras federais Adriana Maia Venturini e Larissa Suassuna Carvalho Barros. O objetivo é promover a representatividade de gênero e grupos minoritários nos cargos de liderança na Procuradoria Geral Federal.  

    Para a procuradora-geral federal Adriana Venturini, é importante olhar para trás e enaltecer aquelas que abriram portas para as gerações atuais. "Quando estamos ocupando esses espaços de poder temos que lembrar que muitas mulheres se sacrificaram para que nós pudéssemos fazer a diferença. A porta está aberta e temos que segurá-la para outras passarem".  

    Já Larissa Suassuna elogiou a evolução do TRF5 no que diz respeito ao tema, relembrando que, em 2020, esteve no Plenário do TRF5 para fazer uma sustentação oral e se inquietou com uma composição exclusivamente masculina. "Como é bom olhar para o hoje e ver como essa Casa avançou. Ver que, além dessas desembargadoras que estão aqui, o Tribunal vem incentivando ações de equidade de gênero no Sistema de Justiça. O Tribunal saiu daquele lugar e, hoje, é força motriz, é inspiração".  

    Boas Práticas de Equidade de Gênero nas Instituições Públicas em Geral e do Terceiro Setor 

    O “Programa Futuras Cientistas”, do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE/MCTI) foi a iniciativa vencedora na categoria Boas Práticas de Equidade de Gênero nas Instituições Públicas em Geral e do Terceiro Setor. O programa, desenvolvido pela pesquisadora Giovanna Machado, é voltado para meninas e professoras de escolas públicas para aproximar as meninas nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática. "Temos responsabilidade na construção de uma país mais justo e com uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas", avaliou Giovanna, que participou remotamente da cerimônia. O troféu foi recebido por sua mãe, Marlene Machado.  

    Menção Honrosa 

    Além das três iniciativas premiadas, o TRF5 também concedeu uma Menção Honrosa ao projeto “Por Mais Espaço para Mulheres no Mercado de Trabalho”, desenvolvido por Rozenir Maria da Silva Nascimento (Rosa), do Hotel Central Recife.  Após uma vida inteira dentro da rotina do hotel (primeiro, para acompanhar a mãe, que trabalhava no local, e, depois, como funcionária efetiva), ela viu o estabelecimento fechar durante a pandemia da covid-19. Rosa, então, reuniu cerca de 30 mulheres e reabriu o hotel, que, hoje, é a oportunidade de trabalho para muitas mulheres recifenses.  

    "O prêmio fala de flores e todos me chamam de Rosa. Eu luto muito pelas mulheres. No hotel, temos mulheres que trocam lâmpadas, que trocam cano, que desentopem pia, que cozinham, que servem, que estão na recepção, que forram cama e que recebem todo mundo. Todas somos flores", declarou Rosa que, ao final de sua fala, entoou o "Canto das Três Raças", canção que fez sucesso na voz da cantora Clara Nunes.   

    Margarida Cantarelli 

    O evento se encerrou com o discurso da inspiradora do prêmio, Margarida Cantarelli. Para ela, a cerimônia vai além da entrega da premiação. "O fato de estarmos aqui é sinal de resistência, de não acomodação, de prevalência do compromisso com valores éticos, morais que devem presidir as ações da Justiça". 

    A magistrada parabenizou todos os projetos e ressaltou a importância da união entre as instituições e da troca de experiências. "Enquanto estivermos de mãos dadas, guiando e executando juntas, iremos em frente, compartilhando experiências e vencendo obstáculos. Replicar um projeto de outro não é plágio. Somar e multiplicar são as únicas operações que devemos fazer".  

    Cantarelli também defendeu a objetividade e equilíbrio quando o assunto é equidade "Aplicar equidade não significa cedeu ao subjetivismo ou ao arbítrio do julgador, mas dar a cada um o que é seu, sendo que a verdadeira justiça exige, muitas vezes, tratar desigualmente os desiguais na exata medida das suas desigualdades". 

    Ela também apontou o Direito como aliado na luta pela equidade. "É imprescindível que o Direito deixe de ser um espelho neutro nas assimetrias históricas. O desafio atual reside em consolidar a equidade de gênero não como um favor, não como uma exceção de benevolência, mas como uma exigência intrínseca na racionalidade jurídica democrática". E completou: "tratar com equidade as questões de gênero significa dar o peso exato às assimetrias, para que a balança da Justiça finalmente alcance o seu prumo".  

    Presenças 

    Além de Margarida Cantarelli, Joana Carolina e Cibele Benevides, também compuseram a mesa de honra da solenidade de entrega do Prêmio Margarida 2026 a vice-governadora do Estado de Pernambuco, Priscila Krause; a desembargadora federal do TRF5 Gisele Sampaio; a representante da Secretaria da Mulher de Pernambuco, Amanda Valença; e a secretária da Mulher do Recife, Glauce Medeiros.  

    A cerimônia também foi prestigiada pelo corregedor-regional do TRF5, Leonardo Resende, pelos desembargadores federais Élio Siqueira, Leonardo Coutinho, Rodrigo Tenório e Ivan Lira; pelo juiz federal auxiliar da Presidência do TRF5, Alcides Saldanha; por magistradas e magistrados da Justiça Federal da 5ª Região; procuradoras e procuradores federais, acadêmicos, defensoras públicas, além de servidoras e servidores da Corte.  


    Por: Divisão de Comunicação Social do TRF5





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    Divisão de Comunicação Social

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